Quase todos os provedores de serviços de internet oferecem a opção de utilizar um endereço IP público. Conhecido também por “IP estático”, “IP roteado na Internet” e, às vezes, “IP real”. Algumas pessoas adquirem essa opção com um objetivo específico em mente, outras pela praticidade e nem pensam sobre isso. No entanto, endereços IP públicos podem representar diversos riscos. Para descobrir o que são, quem pode precisar de um e quais os perigos, continue lendo.

 

O que é um endereço IP e como funciona?

Se quiser enviar um cartão-postal para um amigo, você precisa saber seu endereço. Sem isso, o cartão não será entregue. Na Internet, acontece basicamente o mesmo. Todas as ações online, desde verificar e-mails até assistir vídeos de gatinhos, necessitam a troca de dados entre seu dispositivo e servidores host, e cada participante do processo precisa ter seu próprio endereço.

Por exemplo, para abrir uma página em um navegador, seu computador precisa entrar em contato com o servidor por meio do seu endereço – e o servidor envia a página de volta usando o endereço do computador. Tanto a solicitação, quanto a resposta são transmitidas por pacotes que contêm os endereços do remetente e do destinatário, exatamente como no correio tradicional. São os chamados endereços IP, que são escritos na forma de quatro números de 0 a 255, separados por pontos decimais: 92.162.36.203, por exemplo. Essa forma de combinação rende apenas um total de 4 bilhões de combinações possíveis, uma quantidade muito menor do que o número de dispositivos conectados à Internet.

Para remapear e preservar endereços IP, foi criado o NAT (Network Address Translation – Tradução de Endereços de Rede, em português). Resumidamente, funciona assim: provedores de serviços de internet utilizam um IP público externo para todos seus assinantes, e atribuem endereços privados internos para cada um deles.

É semelhante aos sistemas telefônicos de alguns escritórios nos quais todas as ligações externas chegam a um número externo único, e depois aos telefones dos funcionários por meio de números internos adicionais. Esses “ramais” internos não podem ser acessados diretamente; é preciso ligar para um número geral para que a ligação seja redirecionada.

O responsável pelo redirecionamento, neste caso, é o NAT. Quando recebe um pacote para um servidor externo, identifica qual dispositivo o enviou (para saber para onde enviar a resposta) e substitui o endereço desse dispositivo pelo seu próprio, comum a todos, antes de encaminhar o pacote. Assim, quando recebe o pacote de resposta inicialmente enviado para o endereço comum, o NAT insere o endereço da rede interna do provedor, e a “carta” segue seu caminho para o dispositivo para o qual foi realmente endereçada.

 

Por que se preocupar com o IP público?

Usar um endereço IP público pode ser útil se, digamos, você quiser acessar arquivos no seu computador doméstico quando estiver no trabalho ou na casa de amigos, caso não queira armazená-los na nuvem.

Endereços IP estáticos também são muito populares entre os gamers, que os utilizam para configurar seus próprios servidores – com suas próprias regras, mods e mapas – para jogos multiplayer e convidar amigos para participar. Além disso, um IP público é necessário para fazer streaming de jogos de um dispositivo remoto como um Xbox, PlayStation ou PC para um laptop quando se está longe de casa.

Às vezes, um endereço de IP público é necessário para operar sistemas de videovigilância e de segurança ou soluções domésticas inteligentes, mas isso se aplica principalmente aos mais antigos. A maioria dos sistemas atuais são baseados na nuvem. Isso significa registrar seus dispositivos domésticos em um servidor confiável especial, a partir do qual todos os comandos enviados vão para o servidor, e não diretamente para os aparelhos. Os dispositivos então, periodicamente, “cutucam” o servidor para ver se há algum comando. Com essa abordagem, um IP estático não é necessário; o NAT sabe para onde devolver os pacotes em todos os estágios. Não apenas isso, esse servidor pode ser utilizado para receber informações de dispositivos e gerenciá-los de qualquer lugar do mundo.